| Para chegarmos a essas metas no ano de 2008,
nossa estratégia será o trabalho com as classes de Recuperação
de ciclo I
e salas de Pic, o Programa Ler e Escrever (1ª e 2ª séries
do ciclo I) e formas de recuperação continua, paralela e
intensiva
para as 8ª séries e Ensino Médio. Vejamos (quadro abaixo)
que no ciclo I, os números indicam a retenção por
freqüência e rendimento como fatores a serem repensados pela
equipe de gestão e professores(as), estabelecendo a partir do currículo
novas metodologias de acompanhamento e aprendizagem para essas séries
em 2008.
O mesmo trabalho será feito com o ciclo II, que apresentou índices
insatisfatórios de retenção por freqüência
nas séries de
5ª , 6ª e 7ª e nas 8ª séries, que prevaleceu
a retenção por rendimento. Veja a seguir o quadro do desempenho
escolar de
2007, cujo será objeto de análise para novas metodologias
de ensino em 2008 a partir dos conteúdos curriculares da nova proposta.
Para o Ensino Médio, a Secretaria da Educação, oferece
aos alunos em 2008, novas estratégias para motivar os alunos, tais
como o curso técnico e a preparação para o vestibular,
tudo com apostilas e matérias inovadores, facilitando assim a
melhoria da freqüência escolar e a evasão, elementos
que podem ajudar para revertermos a realidade apresentada no ano de 2007.
Dessa forma, a equipe gestora da escola e os colegiados acompanharão
bimestralmente os avanços de aprendizagem,
freqüência e evasão de cada série, no sentido
de corrigir o fluxo dos alunos e buscar com metodologias de longo prazo
a melhoria da qualidade de ensino.
Concentraremos nossos esforços para melhorarmos com registros mais
específicos o processo de aquisições de bens de consumo
e materiais permanentes para escola, criando vínculos com os projetos
já existentes como o “Cuidar do que é de
Todos e o voluntariado”. Também estimularemos por meio de
nosso currículo escolar as atividades educativas para a comunidade,
falando sobre drogas (Proerd), saúde mental e física, gravidez
precoce, prevenção de doenças, violência,
coleta de lixo etc.
Trabalharemos para melhorar a cooperação entre a equipe
de gestão, professores, funcionários e alunos, fortalecendo
o comprometimento político e profissional de todos os participantes
da comunidade escolar e suas diferenças, para que se envolvam nas
decisões em busca da melhoria da escola. Nesse sentido vejamos
o que Mello nos diz:
“Para o conhecimento da escola, é necessário levar
em conta a diversidade local, conhecendo seu público alvo, usando
o
seu potencial, seus pontos fortes e fracos para promover a aprendizagem
do aluno, aproveitando as oportunidades
oferecidas pelas suas características, fazendo a integração
da escola e comunidade, para haver um reforço nesta aprendizagem”.
Buscaremos mais envolvimento entre as disciplinas, ou seja, que os planejamentos
dos conteúdos e aulas sejam mais cooperativos, com promoções
sistemáticas de eventos culturais e projetos com o entorno da escola
e que tenha como
finalidade o levantamento de diagnósticos para reflexão,
ou seja, é o que recomenda a teoria, segundo Mello:
“Para se compreender a prática pedagógica é
necessário ajustes, reflexões, análises, diagnósticos
e as relações tais como:
perfil do cidadão; aprendizagem; conteúdos; metodologias;
recursos didáticos. Organização curricular e conceitos
avaliativos”.
Nesse ano de 2008, a escola irá criar instrumentos mais ordenados
para avaliações de desempenho dos colegiados e que
podem contribuir para as construções e discussões
dos resultados em nossa comunidade escolar.
Mobilizaremos esforços para melhorarmos as parcerias com empresas
e ONGS, no sentido de encaminharmos nossos
alunos para o mundo do trabalho. Assim, além de empresas como o
CIEE . ABRE e SEMASA, que já oferecem estágios
e estímulos para os nossos alunos do Ensino médio, as turmas
do 2º Ano em 2008, também formam uma Turma do Ensino Técnico,
que freqüentam a escola aos sábados, demonstrando esforço,
otimismo e iniciativa empreendedora.
Nosso currículo escolar possui nessas formas de organizações
para o mundo do trabalho o sentido de aproximar das necessidades da nossa
comunidade e dessa forma, procuraremos atender e compreender os itinerários
de formação de nossos alunos no contexto social em que a
escola se encontra inserida, isto é, criar mecanismos que possam
diminuir elementos prejudiciais da aprendizagem, tais como, a desmotivação
e a evasão. Veja nas palavras de Sacristán:
“Quando os interesses dos alunos não encontram algum reflexo
na cultura escolar, se mostram refratários a estas sob
múltiplas reações possíveis: recusa, confronto,
desmotivação e fuga”
No entanto, nosso currículo só terá sustentação
diante do sucesso de todos os alunos no mundo do trabalho, reconhecendo
as diferentes competências e as necessidades especiais dos alunos.
Para essa finalidade, estaremos lutando para estabelecer melhores condições
de aprendizagem em nossa escola, principalmente para prática esportiva,
ambientes de sala de aula,
espaço de leitura na biblioteca e coleta de lixo para reciclagem.
Entre outras formas de comunicações, os docentes devem trabalhar
com seus alunos a pesquisa de como levar informações
à maioria dos alunos e da comunidade, assim como, que tipo de informações
despertam os interesses das famílias, para que
elas participem mais da vida escolar dos filhos.
Os docentes devem construir conhecimentos em conjunto com os alunos, orientando-os
para o caráter educativo e
preventivo. Assim, os alunos e professores devem buscar envolvimento,
significado e sentido com projetos pessoais de vida
dos alunos.
A escola deve criar projetos que envolvam a comunidade carente de valores
materiais e educacionais, isto é, possuir
didáticas que atendam esse público, integrando-os nas atividades
culturais da comunidade, fazendo dessa forma o trabalho social da escola.
A sala de aula deve abranger preocupações de metodologias
diversificadas, com conteúdos que usem outros recursos
didáticos, que não sejam somente a sala de aula. Nesse sentido,
temos que trabalhar de acordo com as características
próprias de cada aluno, que segundo Carvalho trata-se de: “(...)
o direito à igualdade de oportunidades, o que não significa
tratar todos de forma iguais, mas possibilitar a cada um o que necessita
de acordo com suas características próprias”
Para Nadji Charles, a problemática está na avaliação
como medida, algo que merece ser repensado pelos professores,
veja o que ele diz:
“O que é uma medida... Medir significa atribuir um número
a um acontecimento ou a um objeto. Isso implica que o objeto,
ou o acontecimento, possa ser aprendido sob uma única dimensão,
isolável capaz de receber uma escala numérica. A
medida é assim uma operação de descrição
quantitativa da realidade. Mas a avaliação (...) não
se pode mais considerá-la
como aquela de um instrumento de medida com um objeto medido. O instrumento
é demasiado incerto, e o objeto
demasiado vago. (...) Avaliação não é uma
medida pelo simples fato de que o avaliador não é um instrumento,
e porque o
que é avaliado não é um objeto no sentido imediato
do termo. Todos os professores avaliadores deveriam, portanto, ter compreendido
definitivamente que a noção de nota verdadeira quase não
tem sentido (...) sem comparação social, de fato,
seja qual for a situação os bons alunos têm êxito
e os maus, desempenhos fracos”. (NADJI, Charles. Avaliação
Desmistificada).
De acordo com Nadji os professores não podem exigir dos alunos
os saberes que eles não dominam, isto é, insistir nesse
procedimento é produzir o fracasso: “(...) não exigir
de um aluno o que manifestadamente ele não tem condições
de
produzir em função dos saberes e do que domina no momento.
Isso seria condená-lo a um fracasso”.
Devemos, segundo Nadji, abandonar a preocupação com a quantidade
e a objetividade das avaliações e confiar em nossas impressões
cotidianas dos alunos para demonstrarmos o êxito escolar:
“Deve se abandonar toda pretensão à objetividade quantitativa
(...) os julgamentos dos professores, baseados em
impressões cotidianas e que traduzem uma intuição
global, prevêem melhor o êxito escolar do que os resultados
citados
pelas provas, que é aparentemente mais rigorosa e mais objetiva”
NADJI, Charles.
Vejamos o que Nadji fala sobre a prova e a sua ausência de ambigüidade,
isto é, algo que predetermina o valor a ser
julgado depois:
“A prova parece ser um caso particular de avaliação
com referente ao mesmo tempo totalmente predeterminado,
totalmente explicitado, e totalmente desprovido de ambigüidade. O
mais importante não é julgar o grau de êxito do aluno,
mas dar-lhe informação do que precisa para compreender e
corrigir seus erros. O ensino é uma relação de ajuda
(...) chegamos a conclusão de que não é possível
avaliar sem julgar, e o problema do avaliador é não se deixar
levar por uma embriaguez judicial, e fornecer as informações
que permitam ao aluno julgar com conhecimento de causa: conhecimento das
expectativas legítimas, conhecimento do objetivo valorizado, conhecimento
de sua situação, conhecimentos de suas próprias modalidades
de funcionamento intelectual” NADJI, Charles.
Assim, a avaliação para Nadji é apenas mais um componente
para auxiliar os professores na aprendizagem dos alunos:
“A avaliação no sentido escrito é apenas um
auxiliar da ação pedagógica. Isso significa ao mesmo
tempo que ela não passa
de um componente entre outros e que o importante para os professores-avaliadores
é ensinar, isto é, ajudar os alunos progredirem em suas
aprendizagens” NADJI, Charles.
Toda essa mudança segundo Hargreaves, significa acrescentar ao
pensamento de metas e objetivos a preocupação por
temas, problemas, perguntas e pesquisas, ou seja, no lugar de um conhecimento
canônico, devemos trabalhar para um conhecimento construído
a partir de temas, que se transformam em projetos de pequenos grupos,
cuja fonte da pesquisa
seja a diversidade centrada no mundo e na comunidade. Dessa forma, a avaliação
se constrói mediante portifólios.
Jussara Hoffmann nos fala que o papel do professor é o princípio
dialógico interpretativo, isto é, o dialogo entre educador
e educando, a confiança mútua e a construção
coletiva do conhecimento.
Nesse sentido, Bernard Charlot diz que o aprender só faz sentido
por referência à história do sujeito, às suas
expectativas,
às suas referências, à sua concepção
de vida, às suas relações com os outros, à
imagem que tem de si e à que quer dar de
si aos outros.
De acordo com Hoffmann, trata-se da pedagogia do contágio e propõe
o resgate da condição dos professores e dos
alunos, isto é, cada um deve ter assegurados direitos que lhes
garantam a condição de seres aprendentes sempre: direito
ao diálogo ,
à convivência e ao respeito de suas diferenças.
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