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Valeu ! O I Fórum de Educação da Escola Estadual João Baptista Marigo Martins ocorreu no último dia 17 de Novembro de 2006 como um marco da iniciativa de um professor consciente de seu papel na comunidade em que está inserido. O professor Marcelo é um exemplo de boa vontade e responsabilidade educacional em meio a tantos profissionais desmotivados em relação a um sistema que precisa ser mudado urgentemente. Em conjunto com o diretor, vice-diretores, coordenadores, professores, funcionários, colaboradores e alunos o I Fórum de Educação funcionou como uma sementinha que precisa ser regada para se transformar em uma árvore viçosa e frutífera. As apresentações nos deram uma amostra de que a idéia é boa e pode ser melhorada e ampliada como toda a boa iniciativa. O objetivo do Fórum foi informar, apresentar projetos desenvolvidos pela escola durante o ano de 2006, discutir a educação e refletir o papel da escola em relação à comunidade da Represa. A sala multiuso foi o espaço reservado para as apresentações das palestras e atividades, nela além das aparelhagens eletrônicas controladas pelos professores e pelos assistentes: Bob (Diogo) e Emerson, contou com a presença do professor Ricardo filmando os primeiros momentos do evento. A sala foi decorada com varais com formas geométricas feitas pelos alunos das sextas séries, sob a coordenação da Profª Ana e do Prof. Fábio. Cartazes com o tema sobre a comemoração do Dia da Consciência Negra, coordenados pela professora de História,Sueli, e a montagem de uma árvore com vários rostos colados em cartolina feita pelos alunos das quintas séries, representando a diversidade racial, neste trabalho a coordenação ficou por conta da Profª Suely, de Geografia, com participação de alguns professores das quintas séries. A professora Rosangela, a primeira a se apresentar, nos mostrou diversos projetos trabalhados com os alunos no ano de 2006 e nos deu uma “canja” no coral Vozes do JB, em que os refrões das canções nos deram uma idéia da linha de pensamento desta profissional em relação ao seu comprometimento com os alunos que ela ajuda a encaminhar: “Quero te encontrar”, “Quero te amar”, “Você pra mim é tudo”; “Só o amor me ensina onde vou chegar”, “Quero ser seu par”; “Brasil mostra tua cara...”. Esta professora de artes que trabalha incansavelmente com projetos culturais como: Coral, Teatro, Arte e Dança, tanto na escola regular, quanto no projeto “Escola da Família” (aos sábados), já encaminhou vários alunos para apresentações externas e internas de música, arte e grafite; apresentações de teatro como: “Saltimbancos” e “Pluft, o fantasminha”; apresentações de dança como: “Grease” e “Terra planeta água”. Na seqüência de sua apresentação, a professora fez questão de fazer uma homenagem aos alunos mais atuantes destes projetos que desenvolve. A Profª Elecy, a segunda a expor, registrou por meio de fotos e vídeo o projeto: "Caminho das águas”, projeto este em parceria com o SEMASA, onde os alunos das quintas séries A e B visitaram a represa, o Recanto Arco-íris, uma estação de tratamento de águas e um reservatório. Finalizou sua apresentação concluindo que os alunos se conscientizaram da importância da preservação do meio ambiente para um futuro melhor. Na seqüência, algumas alunas das séries 5ªA e B dançaram e cantaram a música de Guilherme Arantes: “Terra planeta água”. O projeto de voluntariado foi exposto pela Profª Inês, que esclareceu que o projeto trabalha com monitores dispostos a ajudar de forma solidária os alunos com problemas de aprendizado nas salas de aula. Ressaltou a importância do projeto na escola e que a idéia do protagonismo juvenil é válida. O Prof. Marcelo, idealizador do Fórum, preocupado com o aprendizado e limites dos alunos, pesquisou em autores consagrados o tema e nos mostrou em sua palestra: “As dificuldades de aprendizagem e os limites” que as principais dificuldades dos educandos estão na falta de concentração; apatia; falta de interesse e ausência de sonhos. E nos mostrou que os limites dados por pais e professores são necessários para haver um maior comprometimento dos alunos na sua formação. Disse: “os pais precisam encontrar um jeito, seja ele como for, de dar atenção para o seu filho no momento que ele pedir”. O Márcio, professor de Filosofia e História, em sua palestra: “A função social da escola” discorreu sobre as idéias de filósofos como Karl Marx, Durkhein, Marilena Chauí; e pensadores como Darcy Ribeiro, Caio Prado Júnior e Sérgio Buarque de Holanda. Sua palestra, seguindo uma linha de raciocínio bem organizada, foi embasada com idéias como: “Tal como os indivíduos manifestam suas vidas assim são eles” e “é a sociedade que cria a escola e não a escola que cria a sociedade”. Para ilustrar sua apresentação nos exibiu slides do MST, imagens que não vemos nos noticiários do dia-a-dia, onde podemos perceber uma organizada escola voltada com os interesses para a sua própria comunidade. Ao finalizar o professor nos lança uma reflexão sobre: “Qual a função social da nossa escola aqui na Represa?” O professor de Educação Física, Leonel, novo na comunidade da Represa, assim como eu, nos passou uma visão pessoal sobre a Educação Física. Falou sobre os conflitos que a sua área apresenta, sobre a falta de uma identidade definida, mas é esperançoso, pois acredita que possa mudar as coisas. Fez uma “provocação' com a coordenadora Juliana, sobre o título da palestra: “A importância da Educação Física no aprendizado infantil”, ele acha que a palavra “importância” é controversa, pois a Educação Física nunca foi e não é avaliada por nenhum órgão governamental, portanto a sua importância está na atuação de seus profissionais. Por vários momentos interagiu com os alunos presentes e deixou algumas questões serem levantas por um visitante que veio prestigiar a palestra. Na seqüência do evento, recebemos a presença de um palestrante convidado pela Profª Regina, o Sr. Edson (Chocolate), que trabalha na Secretaria de Esportes e Lazer da Prefeitura de Santo André. Sua palestra: “A influencia da mídia na formação das pessoas” está inserido na discussão sobre o “Dia da Consciência Negra” comemorado no dia 20 de novembro. Falou sobre as novelas e os atores negros, sobre a internet e seus sites nazistas pregando a eliminação das pessoas diferentes; falou sobre a religião afro-descendente, entre outros assuntos relacionados ao negro. Concluiu a palestra lembrando que há a necessidade de uma humanização da discussão e trato com o negro. Na sala do ensino médio, 3ª série A, dois grupos se organizaram e prepararam duas apresentações: uma sobre o Câncer e outra sobre Deficiência Visual. Sobre a Deficiência Visual, convidaram uma palestrante cega, a Márcia, que preferiu fazer uma interação com os professores e alunos, fazendo-os tapar os olhos e sentir por alguns minutos o que é ser um deficiente visual. Todos se divertiram. Confesso que não pude ficar até o final e perdi as apresentações de um palestrante vindo de Luanda (África), do Prof Elvair Grossi (colega meu de faculdade) e a apresentação de Seu Joaquim, nosso diretor, mas como diz o ditado popular: “Não precisa tirar todo o sangue do paciente para fazer exame de sangue”. Tenho certeza de que estas apresentações tiveram o mesmo brilho e objetividade daquelas que presenciei. A nossa escola está de parabéns por essa iniciativa, e como disse o vice-diretor, Luiz, no início dos trabalhos do dia: “Coisa inédita em nível de rede”. Valeu pela iniciativa, valeu pela coragem de ousar; valeu pela semente plantada. Ivan Leite – 19 de novembro de 2006 |
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